Três policiais militares são presos acusados de tortura que resultou na morte de homem em Gravatá
29/07/2026
(Foto: Reprodução) 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decretou prisão preventiva contra três policiais militares
Arquivo/G1
Três policiais militares foram presos por tortura com resultado morte de um homem em Gravatá, no Agreste de Pernambuco. Segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), os agentes agrediram Renato Lourenço da Silva Nascimento para obrigá-lo a revelar onde havia drogas. A vítima morreu por asfixia provocada por afogamento.
A prisão preventiva de Marcos Fernandes Barros Filho, Rogério Cristóvão de Arruda e David Raniere de Albuquerque foi decretada por unanimidade pela 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). A decisão atendeu a um recurso do MPPE e reformou o entendimento da primeira instância, que havia negado o pedido de prisão dos policiais.
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De acordo com documento judicial acessado pelo g1, o crime aconteceu na noite de 29 de janeiro de 2024. A vítima foi abordada por policiais da ROCAM (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas) após uma denúncia de envolvimento com o tráfico de drogas. Conforme a investigação, com ele foram encontradas três pequenas porções de maconha, o que motivou o acionamento de outras equipes da Polícia Militar.
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Tortura
Ainda segundo o Ministério Público, Renato permaneceu algemado e incomunicável enquanto era levado até a casa da mãe e, depois, à residência da namorada. Nos dois imóveis, policiais apreenderam drogas e uma balança de precisão. Durante todo o período, familiares não tiveram contato com a vítima.
A investigação aponta que, durante a abordagem, os três policiais torturaram Renato para que ele revelasse onde estavam mais drogas e armas que supostamente pertenceriam a ele e a um traficante conhecido como “Joabe de São Miguel”. Em seguida, segundo a denúncia, a vítima foi colocada em um carro e levada ao Bosque dos Universitários, às margens do Rio Ipojuca.
No local, conforme o MPPE, a tortura continuou por meio de asfixia por afogamento, com repetidas submersões do rosto da vítima na água. Renato morreu ainda no local e foi levado sem vida pelos próprios policiais para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h de Gravatá.
Depois da morte, segundo a denúncia, os policiais disseram que Renato havia aproveitado um momento de distração para fugir e se afogar no rio. A versão, no entanto, foi contestada pelos elementos reunidos durante a investigação.
O laudo pericial identificou lesões nos punhos compatíveis com o uso de algemas e marcas de agressões nas costas e no flanco da vítima. Já a reprodução da dinâmica dos fatos concluiu que o trecho do Rio Ipojuca onde o corpo foi encontrado não tinha profundidade suficiente para provocar o afogamento de um adulto nas circunstâncias apresentadas pelos policiais.
Prisão preventiva
Ao determinar a prisão preventiva dos três militares, os desembargadores consideraram a gravidade do crime e a forma como ele teria sido praticado. A decisão também cita risco de interferência na investigação, após o relato de uma tentativa de influenciar o trabalho da médica responsável pelo laudo pericial, além do receio manifestado por testemunhas.
Em nota, o TJPE informou que a 4ª Câmara Criminal, em sessão realizada no dia 14 de julho, deu provimento ao recurso apresentado pelo Ministério Público e decretou a prisão preventiva de David Raniere de Albuquerque, Marcos Fernandes Barros Filho e Rogério Cristóvão de Arruda para garantir a ordem pública.
O g1 procurou a Secretaria de Defesa Social (SDS), mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. A reportagem também tenta contato com as defesas dos três policiais.